Esbaldei-me ao brincar com as palavras... E meu lado criança adorou entrar nesse jogo de faz de conta e rimas, que a poesia me permitiu criar...

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

DESPERTAR




'Trim-trim'...
Fim de férias...
O despertador toca
E preciso levantar.
Meus olhos pesados,
Cansados...
Não querem acordar...
Meu sono me deita,
Me prende à cama gostosa,
Quentinha e fofinha...
Mas minha mãe bate à porta,
Me chamando para levantar.
Respondo de olhos fechados:
“Já vou, mamãe... Já vou...
Se o meu sono me deixar...”
Com os olhos cerrados,
Viajo a um mundo mágico,
O reino encantado dos sonhos,
Onde não há hora pra acordar...
Sou super-herói, lutador, rei...
Até que mamãe abre a porta
E, como rainha, ordena:
“Anda, menino... Levanta!
A escola lhe espera
E precisa se arrumar...”



Cyssa Amaral Marques
08.08.2012

CONTOS DE MAMÃE




Tac, tac,
Ta-tac...
É madrugada
E mamãe não para de 'bater'...
Tac, tac,
Ta-tac...
Ouço o silêncio das palavras
Que mamãe no computador
Insiste em escrever.
Tac, tac,
Ta-tac...
Meus olhos acordam
Do meu sono cansado...
Tac, tac, tac, tac...
E no barulho mudo das palavras
Encontro forças para levantar...
Curioso com a história
Que mamãe está a criar...
Tac, tac,
Ta-tac...
Calando os meus passos
Vou até o outro quarto
Viajar no faz-de-conta
Dos contos de mamãe.
Tac, tac,
Ta-tac...
Mamãe perdida em suas palavras
Não me vê aproximar...
Calado por minhas lágrimas
Leio emocionado
A poesia escrita por mamãe...
Um suspiro profundo
Acaba por chamar sua atenção e,
Surpresa com minha presença,
Com um abraço carinhoso
Recebo no corpo
As palavras do computador...
Era a nossa história
Que mamãe compartilhava
Com um caro amigo leitor.
Tac, tac,
Ta-tac...
E o título:
“Meu filho, meu grande amor...”
Tac, tac,
Tac, tac,
Ta-tac...


Cyssa Amaral Marques 
08.08.2012

BRINCANDO COM AS PALAVRAS



Pensando com meus botões,
Me perguntei então:
“O que seriam as palavras?”
Seriam borboletas que os escritores,
Com suas redes, correm a caçar?
Ou seria uma gatinha peluda, meiga
E mansinha que uma menina
Insiste em brincar?
Seria um cavalo livre, selvagem,
Que pelos vastos campos
Galopa sem parar?
Talvez um pássaro, uma águia,
Que viaja o mundo, que corta o céu,
Procurando novas terras e
Novas línguas para encantar?
Um cão de caça farejador
Que bisbilhota tudo
Procurando outras letras para juntar?
Ou seriam pedras preciosas
Que um garimpeiro encontrou?
Podem ser como folhas de outono
Trazidas pelo vento inquieto que passou...
E se fossem gotas d'água
Que caem como chuva
Se espalhando pelo chão?
Molham tudo em mim,
Encharcando meu coração...
Acho que palavras
São como os amigos...
Quanto mais temos e conhecemos
Mais bela fica a vida
E mais completa se torna a poesia...


Cyssa Amaral Marques   
08.08.2012